A cerâmica das culturas pampeanas Imprimir E-mail

Fragmento de cerâmica decorada.A produção da cerâmica entre os pampeanos não era tão intensa como entre outros grupos da região platina. Talvez porque as técnicas de cultivo desenvolvidas pela horticultura de florestas tropicais ou subtropicais, de origem amazônica, não tinham como se desenvolver nos imensos campos dos pampas. Apenas nos capões de mato e nas florestas-galeria nas margens dos rios, dos arroios e das lagoas, era possível o plantio. Entretanto, a cerâmica foi uma tecnologia neolitizante que terminou modificando em muito a vida dos grupos de caçadores pampeanos

Recipientes cerâmicos.

Os recipientes cerâmicos são de pequeno porte e de paredes grossas. O acabamento não é muito primoroso. Alguns recipientes são semelhantes a tijelas, outros são globulares e serviram para a cocção dos alimentos. Ela foi intensamente utilizada nas fogueiras dos acampamentos, de forma utilitária, mas provavelmente para a cocção do peixe, e não para a das plantas. Raramente ela é decorada, com a impressão das polpas dos dedos, das unhas, por objetos com pontas, ou com evidências de impressão de cestaria. Leroi-Gourhan comprovou que as impressões de cestaria são formas de decoração e não técnicas de manufatura da cerâmica, como já se afirmou no passado, quando se pensava que a argila pudesse ter sido moldada por recipientes feitos de fibras vegetais.

Esta cerâmica pampeana é de origem meridional, oriunda provavelmente da foz do rio da Prata. Muitas vezes, entretanto, os fragmentos da cerâmica dos Guarani se encontram presentes nos sítios dos cerritos da região lagunar, mostrando-nos a possibilidade de contatos culturais e de miscigenações étnicas.

Última atualização em Sáb, 21 de Março de 2009 20:31
 
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