Arqueologia pré-histórica no sul do Brasil Imprimir E-mail

Este projeto de pesquisa propõe o estudo da interação entre os diversos grupos de caçadores-coletores do holoceno médio e tardio nos diferentes ecossistemas do Brasil meridional, compreendendo áreas do planalto, planície central e litoral do Rio Grande do Sul.

As mudanças culturais na história de longa duração dos grupos indígenas pré-históricos são observadas a partir das evidências da cultura material, que geralmente é usada para a identificação e classificação de uma cultura ou tradição pré-colonial. Mas também a forma como uma cultura organiza e aproveita seus espaços pode ser tão significativa como a cultura material, e ser utilizada como meio de constatar semelhanças e diferenças no comportamento de populações.

Há ainda muitas lacunas quanto ao conhecimento do modo de vida desses caçadores-coletores pré-históricos. Devido à forma como se desenvolveram as análises, em sua maioria sucintas e esquemáticas, a prioridade dos estudos recaiu na identificação de tipos morfológicos de artefatos, sem um padrão analítico quantitativo ou qualitativo unificado. A definição de tipos morfológicos apropriados tornou-se muitas vezes uma tarefa extremamente difícil. Esta dificuldade na definição e conceituação de tipos levou, principalmente na década de 50, a um debate acadêmico bastante controverso que definiu duas tradições pré-históricas para o Rio Grande do Sul: Umbu e Humaitá, associadas aos respectivos ambientes pampa e planalto.

Esta pesquisa considera a hipótese de que estas culturas Umbu-Humaitá constituem uma única cultura de caçadores-coletores que utilizou diferentes ambientes em épocas distintas. Esta utilização diferenciada dos respectivos ambientes pampa-planalto está relacionada à localização dos sítios e composição e confecção dos instrumentos líticos. As transformações ou regularidades na cultura material podem ser o resultado de diferentes estratégias de captação de recursos, processos adaptativos a mudanças climáticas, contatos com outros grupos e organização das atividades de caça e coleta. Mas as formas alternativas para artefatos com as mesmas funções colocam outros problemas, como a herança cultural do grupo.

Para testar esta hipótese, fazem-se necessários métodos de classificação diferentes dos até então utilizados. O objetivo principal deste projeto é, portanto, submeter estas indústrias líticas a uma análise que contempla tanto a organização tecno-tipológica de suas indústrias líticas, quanto a função de sítio e mudanças ambientais, a fim de averiguar o que conduz os artesãos a produzirem indústrias diferenciadas, e se essas diferenças indicam grupos culturalmente distintos.

As atividades de campo darão ênfase à descrição e ao mapeamento dos sítios, considerando sua área, sua posição, relevo, vegetação atual, disposição de manchas no solo, distribuição de fragmentos e possíveis concentrações, situação do solo e o entorno dos sítios, entre outros elementos que caracterizam a sua organização espacial.

Durante a análise em laboratório, uma vez processado os resultados estatisticamente, tratar-se-á de identificar variações e semelhanças dos conjuntos líticos, localizar os sítios nas áreas respectivas e comparar os resultados. A partir daí interpretar-se-á os resultados, procurando responder à problemática proposta.

Leia o projeto original em formato PDF.

 

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