| As missões e os conflitos coloniais | | |
| As missões jesuítico-guarani tiveram sua história marcada pelas lutas contra os escravistas de Assunção e contra as expedições dos bandeirantes caçadores de escravos. A primeira fase das missões no Tape se encerra com as investidas dos bandeirantes na região, forçando os primeiros povoados reducionais a serem refundados na margem oeste do Rio Uruguai. Batalha de M'bororé (1641)No ano de 1641 trava-se a batalha de M'bororé, na qual se defrontam os guerreiros guarani com uma das maiores companhias de apresamento jamais formada nos territórios luso-brasileiros. A batalha durou três dias e se desenrolou nas margens e nas águas do rio Uruguai. Uma forte bandeira paulista de 1.500 homens, dentre os quais aproximadamente quinhentos brancos e mil guerreiros tupi, terminou vencida por uma recém-formada milícia de três mil indígenas guarani. Além de armados com suas armas convencionais (tacapes, arcos e flechas), os guarani contavam com alguns poucos suprimentos de armas dos jesuítas e com mosquetes cedidos pelas autoridades espanholas. Criava-se um curioso precedente e uma exceção histórica importante, no momento em que as autoridades coloniais armavam os guerreiros guaranis para fazer frente às investidas bandeirantes na região platina. Reocupação da banda orientalApesar desta vitória, o sul do Brasil não voltou a ser imediatamente ocupado. O gado trazido pelos missionários, para apoiar economicamente as aldeias e as reduções permaneceu disperso, reproduzindo-se em liberdade e dando origem ao imenso rebanho que seria no futuro a riqueza da pecuária desta região. Ainda que gradual, a reocupação da banda oriental sem a ameaça bandeirante permitiu aos Trinta Povos das Missões Jesuíticas se constituírem por um longo período com um espaço de liberdade e segurança relativas para os guarani. Guerra Guaranítica (1754-1756)As aspirações utópicas de uma vida comunitária e solidária começaram a ruir com o Tratado de Madri e a invasão dos exércitos português e espanhol para cumprir suas determinações diante da recusa dos indígenas. Com a sua derrota, os guarani tiveram que acatar a transmigração para as missões do lado ocidental do rio uruguai. A Guerra Guaranítica representou um brusco final para a experiência missioneira, prevalecendo as normas de uma sociedade colonial escravista e os interesses das elites que comandava os grandes impérios da Espanha e Portugal. Mesmo com a volta ao domínio espanhol em 1761, a confiança nos jesuítas e nas autoridades estava abalada. Iniciou-se o declínio do povoado, acentuado com a expulsão dos jesuítas dos territórios espanhóis em 1768 e a implantação da administração leiga espanhola. Em 1801, a região das missões foi reconquistada pelos luso-brasileiros, resultando na desagregação e dispersão definitiva das comunidades guarani na banda oriental.
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| Última atualização em Qua, 17 de Junho de 2009 20:12 |