| Centros urbanos espanhóis | | |
| Os centros urbanos espanhóis na região platina tiveram sua origem marcada pela necessidade de construir uma ligação efetiva com o restante dos domínios do Vice-Reino do Peru, especialmente com as minas de prata de Potosi, razão do nome rio de la plata. Neste cenário de portos fluviais, Assunção e Buenos Aires disputam a primazia política e econômica. Buenos Aires, apesar de mais exposta à indígenas pampeanos hostis, era mais próxima do mar e mais ligada à metrópole européia do que Assunção, mais isolada no interior do continente e tendendo a ter uma população mais indígena e mestiça. Buenos Aires se impõe, não apenas dentro da área espanhola mas também em razão da ameaça portuguesa logo do outro lado da margem, em Colônia do Sacramento. A fundação de Montevidéu na banda oriental e a elevação de Buenos Aires à condição capital do Vice-Reino do Prata denotam a preocupação da Coroa espanhola de controlar a região, mediante presença efetiva de colonizadores, bem como de infraestrutura administrativa e militar. O dirigismo central também se mostra na organização do espaço, com a orientação oficial das "Leyes de Indias". Desde o século 16 os soberanos espanhóis tornam explicitas em leis as normas que devem organizar as novas cidades coloniais. A cidade deveria ser projetada, as ruas e os quarteirões de casas deverão ser traçados "com régua e corda", caracterizando-se por serem inteiramente regulares e geométricas. Desde a Antigüidade, a planificação urbana está sempre associada aos projetos de fundação das cidades novas, sobretudo nas colônias gregas e romanas e nos acampamentos militares romanos. Muitas vezes as cidades guardaram na sua fisionomia as orientações gerais de um projeto militar de organização do espaço. Comparado com as áreas portuguesas, onde o índio inicialmente era feito escravo e mesmo depois será mais integrado no meio rural, e já bastante aculturado e mestiço, há uma maior integração das populações indígena, seja pelo trabalho compulsório ou através da catequese dos jesuítas. Além dos centros propriamente espanhóis, haviam as cidades hispâno-indígenas e as missões. Com relação às missões, a documentação conhecida evidencia uma dependência muito grande em relação à sociedade espanhola. Para as autoridades espanholas, os indígenas guaranis pagavam tributos anuais e prestavam serviços militares, tais como trabalhar na construção ou reconstrução de fortalezas (freqüentemente em Assunção e Buenos Aires), atacar tribos que ameaçavam os espanhóis (indígenas Charrua e Guaicuru), e mesmo auxiliar governadores a debelar rebeliões locais (índios pretensamente integrados e brancos descontentes). As missões também mantinham representações nas cidades, cuja finalidade era o de facilitar as relações comerciais. Os "Ofícios das Missões", funcionavam como um espécie de escritórios de representação comercial, que se mantinham em Buenos Aires e Assunção para atender ao comércio missioneiro, vendendo seus produtos e comprando o que necessitavam.
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| Última atualização em Sáb, 21 de Março de 2009 20:25 |