Entradas e bandeiras

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Dom, 28 de Setembro de 2008 21:47

A partir dos centros escravistas de São Paulo, São Vicente e Rio de Janeiro, os territórios a oeste de Tordesilhas foram varridos por grupos de homens armados em busca de mão-de-obra. Estas companhias de homens armados reuniam-se em torno de uma bandeira, e por isto foram denominadas de "bandeiras".

Os objetivos destas investidas não foram os indígenas guaianá, pertencentes ao grupo lingüístico e horticultores habitantes de aldeias localizadas nas alturas do Planalto Meridional brasileiro. Não foram também os caçadores-coletores-pescadores das paisagens abertas dos pampas sulinos, como as etnias charrua e minuano. Estes pequenos grupos eram menos expressivos do ponto de vista demográfico, praticavam o nomadismo ou o semi-nomadismo e eram muito resistentes a toda e qualquer tentativa de submissão ou mesmo catequese. Os alvos preferidos são exatamente os aldeões da etnia guarani nas florestas tropicais e subtropicais atlânticas, parcialmente sedentários.

As próprias comunidades indígenas guarani litorâneas, principalmente através dos seus os pajés (xamãs), auxiliavam o tráfico escravo, da mesma maneira como os guerreiros tupi prestaram-se muitas vezes ao papel de auxiliares dos bandeirantes na caça aos escravos guaranis. Os guarani Carijó, do litoral meridional, vendiam muitas vezes seus próprios parentes e não entregavam os guerreiros inimigos Guaianá do planalto, os quais preferiam comer em rituais de canibalismo. Facas, tecidos e colares de contas de vidro eram trocados em todos estes locais por escravos índios e por aprovisionamentos de água e alimentos.

São agredidos os indígenas que ainda habitam aldeias instaladas em territórios não colonizados pelos invasores ibéricos. Mas são igualmente atacados os Guarani cristianizados dos pueblos de índios dos espanhóis.

Apesar da bula papal de Urbano VIII, de 1639, que ameaça de excomunhão os católicos que se dedicarem ao comércio de escravos, a tentativa de implantação destas determinações em São Paulo leva justamente à expulsão dos jesuítas da cidade.

Milhares de indígenas foram levados para os mercados de escravos, sendo lá vendidos para os proprietários rurais, donos dos engenhos de açúcar de São Paulo, São Vicente, Espirito Santo e do Rio de Janeiro. Ao contrário do que normalmente se afirma, não foram eles conduzidos para o nordeste. Uma grande parte destes escravos índios permaneceram nos engenhos do litoral meridional, que não pararam de crescer. Torna-se difícil calcular a quantidade de indígenas levados para as plantations coloniais brasileiras, mas devem ter sido dezenas de milhares os objetos deste lucrativo comércio. Muitos morreram pelo caminho, milhares foram submetidos aos trabalhos compulsórios da exploração agrícola, atrelados juntamente com os bois aos arados, de sol a sol.

 

Última atualização em Sáb, 21 de Março de 2009 20:20
 
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