Migração tupi-guarani Imprimir E-mail

Lâmina de machado circular, de origem peruana, encontrada no Rio Grande do Sul, Brasil.

Muito antes da chegada do europeus, a região platina foi palco da expansão dos guarani da Amazônia. Os grupos guarani migraram em direção ao sul por volta de 2.000 AP, chegando no Prata principalmente através dos rios Paraguai, Paraná e Jacuí. Instalaram-se desde o do Trópico de Capricórnio até a foz do rio da Prata. Seguindo o padrão amazônico de instalação das aldeias, buscavam os vales quentes e úmidos bordejados pelas florestas tropical e sub-tropical. Sobem os vales dos rios que se lançam pelas encostas, até altitudes não superiores a 700 metros, enquanto predominarem as condições de calor e umidade, deixando intocadas as alturas do planalto meridional e o pampa, onde se refugiam os charruas e os grupos . Subindo pela planície litorânea, ocupam os espaços anteriormente povoados pelos grupos de pescadores-coletores sambaquianos, do Rio Grande do Sul até o sul de São Paulo. Após séculos de migrações, reencontram os tupi, também originários da Amazônia, no litoral de São Paulo.

Os tupi migraram da Amazônia provavelmente na mesma época dos guarani. Rumando inicialmente para o nordeste do Brasil e posteriormente para o sul, ocuparam grande parte da costa leste, desde o Equador até o Trópico de Capricórnio, no litoral de São Paulo. Quando os portugueses chegam ao Brasil e se instalam no litoral, este já estava ocupado pelos tupinambás.
No decorrer deste longo tempo, apesar de terem permanecido ligados ao mesmo tronco comum cultural, os grupos de horticultores tupis e guaranis adquiriram muitas características próprias. Não apenas duas línguas aparentadas surgiram, a partir do tronco comum original, mas igualmente diferenças culturais importantes. Vivendo nos trópicos, os tupi centraram a sua produção alimentar na mandioca amarga, da qual extraem a farinha e com a qual produzem o beiju. Muitos recipientes cerâmicos planos e artefatos de fibras vegetais são adaptados a esta produção. Já os guarani, em ambiente subtropical, se concentraram na produção do milho e da mandioca doce (ou aipim), para os quais necessitaram de outras formas de recipientes cerâmicos, de formas globulares.

Última atualização em Qua, 27 de Abril de 2011 13:49
 
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