| Missões Jesuítico-Guaranis | | |
| Na conquista do Brasil meridional, os missionários chegaram juntamente com os colonizadores ou mesmo antes deles. E foram exatamente estes missionários, nomeadamente os jesuítas, que deram origem a uma das mais extraordinárias experiências históricas de gradual inserção dos indígenas Guarani na sociedade européia, através da experiência das Aldeias jesuíticas do litoral sul-brasileiro e dos trinta povos das missões platinas. Por muito tempo as Missões foram vistas através do julgamento essencialmente negativo dos intelectuais do passado. O que conhecemos sobre as missões passa por uma reavaliação por parte das pesquisas recentes. Nativos e missionários realizaram juntos uma experiência humana extraordinária, que envolveu cerca de 150.000 pessoas por um período de mais de um século. Um processo de transformações culturais que alterou o modo de vida dessas populações sob influência das inovações européias, sem que a cultura tradicional guarani desaparecesse totalmente. Entretanto, as guerras travadas pelos guarani (contra as decisões tomadas pelo Tratado de Madri), a ocupação pelos exércitos lusitano e espanhol, a expulsão dos jesuítas em 1768 e a péssima administração civil dos povoados provocaram sua decadência e abandono. Mas as missões não são apenas o conjunto de estruturas visíveis sobre o solo, como a arquitetura monumental. O que dá importância histórica e cultural a estes sítios é o conjunto documental arqueológico, que inclui o que se encontra integrado às estruturas remanescentes em pedra, e em torno delas, em uma área por vezes de centenas de metros quadrados, e que deve ser igualmente protegido, recuperado e analisado. Além disso, um rico patrimônio missioneiro subsiste tanto na documentação escrita como em vestígios materiais em acervos espalhados pelo continente americano e na Europa. Os trinta povos missioneiros são mais que meras ruínas abandonadas em meio às matas subtropicais. São importantes sítios históricos destinados a se transformar em museus ao ar livre, abertos à visitação pública e ao turismo cultural. A conscientização livre e espontânea, o contato direto com as edificações, com os artefatos e esculturas em madeira e pedra, com a iconografia original e com os modelos e reconstituições do espaço social e das atividades humanas atende as diretrizes da Fundação Nacional Pró-Memória de oferecer referências para a compreensão da trajetória cultural ocorrida na região. Um objetivo de longo prazo é a transformação do conjunto dos sítios missioneiros da região em patrimônio cultural da humanidade, a exemplo de São Miguel, o que aos poucos é posto em prática no Brasil, Argentina e Paraguai. As pesquisas apoiadas pelo Projeto PROPRATA se colocam também como contribuições às iniciativas do patrimônio nacional deste países e das comunidades locais. |
| Última atualização em Qua, 27 de Abril de 2011 14:26 |