| Os artífices das áreas altas da região platina perpetuaram por gerações os seus conhecimentos. As tecnologias de preparo da pedra, e em especial o lascamento, já estavam desenvolvidas há milênios. Desta maneira se mantém o uso de percutores, núcleos, lascas, lâminas utilizadas como facas e pontas, lâminas de machado bifaciais, plainas, raspadores, furadores, instrumentos com entalhes, picões e grandes talhadores. A maioria dos instrumentos parece ter sido feita para trabalhar a madeira, como as grandes plainas que são instrumentos líticos de forma plano-convexa, como os raspadores, mas de tamanho maior. Apresentam desgastes na base, o que indica a sua utilização para trabalhar a madeira.  Dentre mais de vinte instrumentos diferentes foram estudados pelos arqueólogos, se destacam os belos bifaces bumerangóides. São provavelmente artefatos para uso ritual, pois quase não apresentam sinais de utilização. Seus gumes são finamente retocados e apresentam uma empunhadura bem trabalhada. O uso das matéria-primas continuou muito semelhante, imposto pelas formações geológicas do relevo do planalto: grande quantidade de diabásios e basaltos nas alturas, acrescidos do arenito silicificado na base das encostas, e mais raramente a calcedônia e o quartzo. As maiores inovações nas técnica do lascamento aparecem na necessidade de aprimorar os resultados obtidos com a calcedônia e o quartzo, muito difíceis de lascar somente por percussão direta. Os artífices utilizaram seixos de basalto como percutores, para lascar a pedra e fazer por percussão direta os seus instrumentos. Mesmo os retoques nos gumes, para torná-los mais afiados e mais eficientes, foram feitos através das técnicas de percussão.  Outra extraordinária inovação é a introdução do polimento da pedra. Os artefatos mais característicos são denominados de mão-de-pilão. São longos blocos de diabásio diaclasado, que chegam a ter de 20 até 70 ou 80 cm de comprimento. Foram submetidos a um processo de polimento que não chega muitas vezes a fazer desaparecer completamente as arestas da peça original. São raros de serem encontrados nos sítios arqueológicos. Mas os moradores locais descobriram casualmente dezenas de artefatos deste tipo na área de ocupação desta cultura. A elaboração e o acabamento trabalhoso e refinado não indicam terem sido estes artefatos utilizados intensamente nas atividades cotidianas. Grupos florestais, como estes, poderiam sempre por em uso mãos-de-pilão feitas de madeira, para realizar os trabalhos de moer o milho ou mesmo os pinhões. Então provavelmente estes raros objetos polidos podem ser resultado de motivações estéticas ou rituais. |